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A Situação do Ensino da Língua Japonesa para Brasileiros

Atualizado: 23 de set. de 2022




Com a imensa demanda de cursos de japonês oferecidos pela internet apresentados ora por profissionais e ora por amadores, gratuitos ou pagos, tem dificultado cada vez mais a decisão de muita gente que deseja iniciar seus estudos de língua japonesa, não é mesmo? Já não digo àqueles alunos que já possuem um certo nível de conhecimento, pelo fato de poderem discernir o que realmente lhe seja útil e necessário.

Nos últimos 2 anos devido a pandêmica tempestade do CORONA 19, não só a língua japonesa como todos os setores, em especial aqui abordado, o setor da educação, foi fortemente influenciado e abalado a ponto de muitos educadores perderem seu serviço e não poderem continuar suas atividades devido a falta de conhecimentos do uso da internet, redes sociais e até mesmo do uso de computador. Só para ter uma breve ideia, aqui no Japão muitas escolas, devido lacrar sua portas imigratórias, muitas escolas tiveram que fechar suas portas devido a falta de alunos, pessoas com conhecimentos básicos de TI e marketing digital, restando apenas aquelas instituições que ao longo de muitos anos construíram seu legado e que hoje conseguem se manter graças a seu status.

Pensando em tais adversidades no setor da educação, decidi compartilhar algumas informações que talvez sejam úteis para àqueles que desejam escolher um curso adequado a fim de iniciar ou continuar seus estudos de língua japonesa da melhor forma possível.


Os descendentes japoneses


Até os finais da década de 90, 99.9% dos educadores da língua japonesa eram japoneses legítimos e descendentes de segunda geração, ou seja, filhos ou filhas de japoneses legítimos. Os descendentes embora nascidos em solo brasileiro, utilizavam o japonês correntemente como os nativos. Apesar da maioria não atualizarem e reciclarem seus conhecimentos, o que ocasionou uma pequena discrepância no uso de certos vocabulários e novas expressões, podiam ensinar o japonês como os próprios japoneses.

Uma pequena exceção puderam reciclar seus conhecimentos como estudantes intercambistas, fortalecendo não só a língua como também seus laços culturais, conhecimentos de didática, etc.

Sem contar também a rica contribuição que os japoneses como intercambistas vieram a agregar no upgrade linguistico para as comunidades no Brasil.

Atualmente o índice de japoneses e de descentes de segunda geração tem caído drasticamente no Brasil, dando lugar aos seus filhos e netos. Hoje, no Brasil já estamos chegando a quinta geração dos japoneses desde o desembarque do 「笠戸丸」“Kasatomaru” em 1908. Sua maioria consegue ouvir e compreender muito pouco além de possuirem grandes dificuldades em se comunicar e compreender, ler e escrever em japonês devido ao distanciamento do campo linguístico japonês. Quando que no passado, utilizavam regularmente o japonês dentro de suas casas, hoje infelizmente passaram a não mais utilizar como meio de comunicação.

Este enfraquecimento, embora seja um pouco lamentável, decorre naturalmente em qualquer que seja a nação imigrante ou língua. Haja vista que descendentes de espanhóis e italianos, atualmente não entendem e nem falam nas respectivas línguas, como eu.

Embora a comunidade nikkey tenha se transformado muito nestes últimos anos, gosto de dizer que o "nikkey" foi e sempre será especial no Brasil. Pois traz consigo toda uma peculiaridade que mesmo com passar dos anos estará incutida em seu DNA.



O crescente número de alunos e professores não descendentes


Quando iniciei meus estudos da língua japonesa na década de 90, era raríssimo participar como aluno de uma classe de língua japonesa, considerando que esta era voltada naturalmente apenas para descendentes. Posso dizer que eu e uma pequena minoria tenha sido um caso de “um em um milhão”. Estas exceções puderam ocorrer graças a pessoas que possuíam e ainda possuem uma visão macro de mundo, capacitando-os sempre a enxergar o além de suas portas.

Com o avanço da internet e consequentemente da aproximação dos continentes, o acesso ao mundo passou a ser realizado a partir de nossos desktops, capacitando nos conectar com o Japão, embora terrivelmente lerdo e difícil através de sistemas como América Online, iniciava-se ai a abertura de novos horizontes. O ocidente é bombardeado pela cultura pop japonesa com os seus filmes, animes, mangas, culinária, etc.

Em contra partida, nota-se que os descendentes de terceira geração se distanciaram da cultura, consequentemente do campo linguístico japonês devido a infeliz perda de seus parentes japoneses. Uma porcentagem decide vir ao Japão como 「出稼ぎ」”Dekasegi - buscar fora seu sustento”, o que certa forma favoreceu não só financeiramente, mas também como resgate de sua herança cultural e fortalecimento das colônias japonesas ao regressar ao Brasil.

Ao rastrear a história, entendemos que este fenômeno já ocorrera com outras línguas e em outras épocas que ainda não pertencíamos ao globo terrestre, como é o caso da língua inglesa, do italiano e do espanhol, que pouco a pouco de acordo com a necessidade gerou o aumento de alunos e educadores destas línguas não descentes ou nativos.

A língua japonesa apesar de ser menos procurada do que muitas outras línguas, não é diferente e também transita por esta fase, o que creio não ser estranho em breve a maior parte do quadro de educadores e pesquisadores serem constituídos por não-descendes como ocorreu em outras línguas.

Talvez você não saiba, mas o Japão passa por algumas dificuldades sociais que devem apresentar mudanças em breve. Embora considerado um país de primeiro mundo, o Japão atravessa por grandes transformações culturais, filosóficas e políticas, que aos nossos olhos parece estar um pouco atrasado, o que provavelmente não esteja, mas talvez seja chegado o momento de necessárias revisões sobre alguns conceitos como: “Aceitação do estrangeiro em algumas áreas sociais; “Igualdade da mulher dentro da sociedade”, “ Reconhecimento das aulas OnLine como aulas oficiais”, etc, etc.....”

Além disso, atualmente o Japão mostra uma enorme deficiência na falta de mão de obra devido ao baixo nível de natalidade, obrigando-se a abrir ainda mais suas portas para o estrangeiro, a fim de empregar pessoas e oferecer a elas oportunidades de permanecia, o que ocasionará ainda mais grandes mudanças necessitando qualificação em todos os setores inclusive educacional.


Estudando uma língua estrangeira


Qualquer língua que se torne um objeto a ser investigado, estudado e praticado, deve-se antes de mais nada ser entendido. Apesar de existirem muitas teorias e métodos de aprendizagem, a partir de agora abordarei apenas sobre o que fez e ainda faz resultados em minhas experiencias na área da educação.


No inicio dos estudos, muita gente acredita que “fazer uma imersão “ em uma determinada língua seja fundamental para a prática e concretização da mesma, o que eu ainda acredito piamente ser correto.

Entretanto, observando alunos do nível 0 de língua japonesa que aprenderam com nativos, e alunos que aprenderam com não nativos, há uma diferença relevante a ser considerada.

Os alunos estrangeiros de uma classe de nível iniciante, ministrada por um professor nativo demonstram um certo atraso para compreender, assimilar e praticar a língua estudada devido não ser apresentado equivalências em sua língua mãe. O fato de apenas repetir sem entender é o mesmo que tentar memorizar sem associar, retardando assim o desenvolvimento associativo ou cognitivo. Não me refiro apenas ao sentido de palavras, mas também de combinações entre as palavras que geram expressões.

Quando aprendemos uma segunda língua, buscamos o máximo possível associar as novas palavras da língua estudada com o nosso dicionário mental da língua materna, no caso o português. De acordo com tempo e frequência destas associações é que irão resultar alunos ótimos, médios e péssimos. Muitos alunos e inclusive professores ainda acreditam que a melhor forma de estudar uma língua é utilizando o sistema de memorização. No entanto, quando falamos sobre cognição, ou se seja, como o cérebro percebe, aprende, recorda e processa toda a informação captada através dos cinco sentidos, notamos que adentramos ao mundo associativo e não apenas da memorização. Por esse motivo, exercitando a memorização teremos o mesmo resultado das carteiras escolares nos dias de prova, quando decoramos um determinado conteúdo para prova e depois, muitas vezes, somos incapazes de lembrar uma virgula do assunto estudado. Já, exercitar a associação cognitiva, promoverá maior capacidade de absorção do conteúdo, sendo que este último aguçará os sentidos mais e mais de acordo com o tempo e frequência disponibilizado aos estudos, ampliando assim seus meios comunicativos e expressivos.

Alunos que associam o sentido das palavras, são mais ágeis para desenvolver expressões considerando que estes sabem distinguir e compor os sentidos, capacitando os mesmos a expressarem qualquer conteúdo de qualquer assunto de forma natural e não artificial-decorado.

Para atingir tal nível o aluno deve ter acesso a materiais e a um professor de japonês que entenda as diferenças e dificuldades pertinentes de ambas as línguas, no caso o professor de japonês deverá entender muito bem o português.

Por fim, estudar o básico com um professor não nativo e posteriormente estudar o intermediário em diante com um professor nativo, farão resultados mágicos. Acredite!

Construir suas bases fortes com a ajuda de sua língua materna proporcionará resultados extremamente rápidos e eficazes.



Quais são os méritos de estudar uma língua com professores não nativos?


Após entender que é extremamente importante associar para se expressar, de acordo com minhas experiencias, creio que seja fundamental os aprendizes do nível 0 de língua japonesa estudarem com professores não nativos em primeira estancia.

Como expliquei anteriormente, associando sua própria língua com a língua estudada, poderá estabelecer bases concretas a fim de “comunicar-se pensando na língua”. Só após terem entendido todos os instrumentos linguísticos essenciais para a comunicação e expressão, poderão então aproveitar de forma integra sua imersão com professores nativos. Por fim, estudar com um professor não nativo nas primeiras etapas de sua jornada poderá ganhar habilidades associativas de forma mais ampla através de comparações e exercícios que podem fornecer o feedback sobre suas reais dificuldades, além de ganhar mais tempo e economizar mais gastos.

Após aprender toda a introdução da língua japonesa é inevitável a necessidade de um instrutor nativo, pois só assim poderá desenvolver seus níveis de expressão identicamente ao mesmo.

Fecho este assunto dizendo com 100% de certeza, pelo fato de ter tido a experiencia em lecionar uma classe inicial e em seguida com o apoio de nativos, o que tivemos resultados inigualáveis.


Como saber qual curso adequado de Língua japonesa devo escolher?


Recentemente o imenso bombardeio de aulas online de língua japonesa tem gerado uma certa dúvida sobre qual seria a melhor classe ou professor a escolher. Reconhecendo que atualmente temos acesso a mais armadilhas do marketing digital do que a conteúdo, creio que precisamos ser um pouco mais exigentes sobre alguns critérios.

Como deve saber, muitas propagandas atualmente compram seus resultados, o que de certa forma obscurece o propósito da educação - o de compartilhar o conhecimento. Nota-se uma grande demanda de conteúdo simples e barato utilizado como isca de alunos com pouquíssimas explicações, ausência de metodologia de ensino e sem nenhum conteúdo programático.

Creio que a postura do educador deva ser de sempre se colocar no lugar de seu aluno, considerando que este gastará não só sua disponibilidade de tempo/dinheiro, sua confiança e sua dedicação.

Segundo minhas experiencias, um professor não nativo (descendente ou não) de uma dada língua deve no mínimo:


(1) Ter amor em compartilhar seus conhecimentos e sempre procurar reciclar seus os mesmos;

(2) Ter a experiencia de morar no mínimo 5 anos no Japão a fim de entender importantes questões culturais, sociais e éticas do povo japonês. (exceto aos descendentes que tiveram contato direto com nativos japoneses no Brasil);

(3) Ter sido formado como professor de língua japonesa por um órgão competente, do qual foi orientado e avaliado conforme o padrão exigido no Japão (dentro ou fora do Japão);

(4) Ter o nível avançado da língua japonesa a fim de poder atender e orientar seus alunos de forma abrangente;

(5) Sua didática deverá obedecer aos critérios básicos das Habilidades Linguísticas. Saiba mais:





Sem um destes critérios, creio que seja difícil atender e orientar seus alunos de forma adequada.


Creio que ainda haja dúvidas sobre como, onde, quando e com quem estudar, por isso gostaria que compartilhasse nos comentários para poder atende-lo(a) de forma mais seleto(a).

Cada aluno é um diamante, e cada qual temos nós (educadores) a missão de trabalha-los de forma cuidadosa e seleta. Sei que ainda existem muitos educadores que portam certos tabus no que se diz respeito às áreas da linguística, como por exemplo a importância de entender a composição das estruturas, dos vocabulários e das expressões etc., e sem saber, estão criando mais tabus em seus alunos. Para estes, sugiro o que me foi ensinado durante meus caminhos:


・“Não prometa aquilo que você mesmo ainda não alcançou”

・”Estudar uma língua não deixará ninguém rico, entretanto será uma ferramenta para um reconhecível diferencial em sua vida.”

・”Jamais minta para seu aluno, apenas motive-o e ensine-o a tornar-se independente!”

・“Não se constrói um edifício sem haver um alicerce, pilares e telhados. O alicerce podemos chamar de "vocabulário", os pilares podemos chamar de "gramática" e os telhados a "confiança e conforto" para utilizar variadas formas de expressão.


Cérebro Japonês

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2 Comments


Excelente retórica a cerca da língua japonesa, obrigado por sua lucidez e sinceridade no seus conselhos. Um exemplo de profissionalismo. Grande abraço. Almir Smith

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Unknown member
Sep 24, 2022
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Querido Smith, eternamente grato pela sua atenção e carinho! Esperamos que o mundo possa superar com muita luz e determinação toda sua perda. Cá está ai uma prova de não é só o Brasil que vive problemas sociais e políticos como a mídia gosta de enfatizar. Existe muito por fazer em qualquer lugar deste nosso planeta azul...kkkk Um forte abraço irmão!

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